domingo, 8 de abril de 2018

Além de Você


(Ainda não sei como começar...) Por mero acaso, meio a fotografias, canções e arquivos de pendrive: a gente. Uma emoção me tomou; Palavras se embaralham, se atropelam e nada dizem. Tal qual um novelo de linhas guardado por muito tempo, meus sentimentos confundidos entre si. Ali diante dos meus olhos, uma das nossas primeiras conversas.Eu, amedrontada com tanta demonstração de afeto, recuando, me protegendo - ainda que a justificativa fosse de não querer te fazer sofrer.(Que ironia.) O medo sempre esteve presente em nós. Medo de não conseguir viver tudo aquilo que sentíamos. Medo da vida, do passado, do futuro... Quantas vezes nos perguntávamos: "e se nos perdermos?". Ouvindo aquela canção que sempre será nossa, busco palavras. Quatro minutos abrigam uma história maior do que elas conseguem alcançar. É o sorriso contido, as mãos trêmulas e suando, é o abraço apertado, é o cheiro, é a paz, o abrigo, o alento que a gente precisava depois de tantas tempestades que vivemos. A gente sempre soube que era Amor, mas também sempre soube que seria efêmero um estar na vida do outro. Que era a mão de Deus aprumando as coisas, realinhando nossos sentimentos, nos ensinando,nos conduzindo, amadurecendo. A gente sempre soube, e nem por isso foi fácil dizer adeus quando foi preciso. Como doeu, né? Como doeu saber que sempre estaria presente porém distante, fisicamente ausente, sumindo com o tempo do cotidiano que compartilhávamos, como uma foto que vai desbotando. Às vezes, me sinto assim, uma fotografia antiga, empoeirada no fundo de uma gaveta qualquer. E me recordo daquela promessa de jamais esquecer, de jamais ser o mesmo, de nunca ter amado alguém daquele jeito. Me pergunto se quando algo te faz lembrar que eu estive na sua vida, se seus olhos ficam marejados como o meu, e se esse turbilhão de sentimentos também te afogam. Depois que você foi embora muitas dores me arrancaram pedaços e seu abraço fez tanta falta... Muitos golpes me levaram ao chão e sua mão não estava lá. Muitas apunhaladas me deixaram outras cicatrizes, além daquelas tantas que você pode conhecer e seu carinho não pôde me acolher. Muitas lágrimas rolaram, muitos gritos foram silenciados e você... você nem sequer supôs. Depois que você foi embora pensei em te chamar pra perto, em gritar até que me ouvisse, em ir onde estivesse e propôr recomeço. Depois que você foi embora eu...eu me perdi, não sabia mais quem eu era nem o que eu buscava. Confesso, uma parte bonita de mim morreu. E isso dói, sim. A vida ameniza, o tempo aquieta... e sigo. A história da nossa vida parece se dividir em duas. Quando penso em tudo que vivenciamos durante o tempo que nos foi dado, sinto que a pessoa que você era não é a mesma pessoa que foi embora, não é quem eu vejo hoje, raramente, em uma fotografia. Nela ,tem sorriso, tem abraço, só que... não sei, eu nunca mais vi aquele sorriso em ti. Seus lábios ensaiam, seus dentes estão a mostra. Seus olhos não acompanham, o brilho não mora mais neles. Não é você. Ou quem eu conheci nunca existiu para o mundo de fato, só para mim. Melhor amigo, companheiro, confidente, porto seguro, anjo... Tento me convencer que você é feliz, que hoje tudo que tem ao seu redor é o que sonhou desde sempre. Que é isso que de fato te faz sentir o homem mais feliz (e completo) do mundo. Porque nada justificaria a gente se perder para não se encontrar em algo melhor. Seria injusto demais. Você me disse que seria eterno em minhas lembranças. Que estaria sempre comigo. Hoje, não tenho a menor dúvida disso. Loucura. Pois é. Não resta rancor, mágoa, ressentimento, nada capaz de apagar a minha gratidão. Foi com você que pude estar mais perto de mim mesma, foi com você que pude estar mais perto daquilo que entendo por Amor. Não sei se daí você ainda conversa comigo em pensamento, se me dá conselhos, se pede a Deus por mim. Espero que sim. Se não, tudo bem. Eu sei que sentimentos complicados precisam estar imóveis, soterrados para a gente acreditar que morreram. Lembranças e palavras ainda estão embaralhadas. No fim das contas, ainda que eu não saiba como dizer, nem o que dizer, sei o que elas traduzem: dor, alegria, saudade, morte,lágrimas, gratidão... Gratidão.  Me calo. Ninguém entenderia. Ninguém além de você.

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